Observatório de Educação para a Interioridade

PUC-PR cria programa de meditação voltado à interioridade

Observatório de Educação para a Interioridade
13/04/18 - Neste 05 de abril, a PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná) realizou o evento de apresentação do Observatório de Educação para a Interioridade, um projeto pioneiro e inovador na América Latina. 

O intuito é de promover a reflexão sobre a interiorização de seus participantes acadêmicos, através de programas de meditação, acompanhamento espiritual e oficinas de filosofia e interioridade.

Os palestrantes do evento foram os monges Coen Roshi (monja zen budista, missionária da Tradição Soto Shu do Japão), Bernardo Bonowitz (abade do Mosteiro Trapista de Campo do Tenente – PR.) e o psicólogo Gilberto Gaertner (professor de psicologia do esporte da PUC-PR; presidente da International Traditional Karate Federation (ITKF) e especialista em Meditação), que afirma que as práticas meditativas estão na base do surgimento das artes marciais (imagem).

A meditação é de suma importância para as artes marciais

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A palavra central do diálogo e que tomou conta do evento foi a meditação. Os três convidados deram uma amostra da sua própria forma de realizá-la, fazendo uma prática interativa com a plateia.

Historicamente, as práticas meditativas estão na base do surgimento das artes marciais. “A meditação zen foi a que mais se identificou e acabou integrando-se às artes marciais japonesas. Infelizmente, hoje, a prática das artes marciais voltada só ao viés esportivo distanciou os praticantes das práticas meditativas”, conta Gaertner. Para ele, a meditação é de suma importância para as artes marciais, pois complementa o treinamento e desenvolve habilidades adicionais, como o controle emocional e o foco atencional. Além disso, a prática meditativa contribui para o desenvolvimento de valores humanos.

Creio que a prática das artes marciais voltada ao aperfeiçoamento do ser humano, e não somente a desenvolver as habilidades de luta, tem na meditação um elemento indispensável. No karatê-dô tradicional desenvolvido pela ITKF, por exemplo, a base ético-filosófica e o trabalho meditativo fazem parte do processo de treinamento”, afirmou o presidente da ITKF.

Plateia lotou o auditório

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Psicólogo da seleção brasileira de vôlei masculino, campeã dos Jogos Olímpicos Rio 2016, Gaertner garante que uma grande contribuição para a conquista do ouro na competição se deu pela prática da meditação. 

Antecedendo os jogos, a equipe fez uma preparação baseada em técnicas meditativas para melhorar diversos comportamentos decisivos em momentos de alta tensão, tais como o foco atencional e as tomadas de decisão. 

Segundo o psicólogo, controlar a respiração na hora do jogo é essencial, pois mantém a estabilidade emocional e cognitiva dos atletas.

Tratando-se da saúde, foram pautadas no evento a ansiedade e a depressão, consideradas os principais males do século pela Organização Mundial da Saúde (OMS). 

O monge Bernardo Bonowitz

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Os monges Bonowitz e Coen, junto ao psicólogo Gaertner, explicaram os benefícios que a meditação traz à vida de seus praticantes. 

O psicólogo afirma que, junto ao trabalho psicoterápico, a meditação tem um papel muito importante e é um fator de grande efeito para prevenção e tratamento dessas doenças.

Na visão dos palestrantes o trabalho de interioridade desenvolvido pelas técnicas de meditação propicia ao praticante um encontro com seu íntimo, com seu self. Valores como solidariedade e compaixão e uma cultura voltada para a paz são efeitos diretos destas práticas meditativas.

No cotidiano, a meditação pode ser aplicada em diversos espaços e na vida. 

Prática interativa com a plateia

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O professor de psicologia do esporte comenta como a meditação pode ser usada no dia a dia de seus praticantes. “Conseguir otimizar o tempo para fazer práticas meditativas curtas ao longo do dia é extremamente salutar. 

Muitas vezes, não se tem um tempo longo para praticar, mas fazendo várias vezes durante o dia, acaba trazendo a consciência para dentro, você toma posse de você. 

A meditação é a forma mais rápida de qualificarmos a nossa presença e nos mantermos atentos ao momento presente.”

Monge há 35 anos, Bonowitz confessa que se acostumar aos hábitos trapistas lhe rendeu tempos difíceis, mas que foi nesse período que a meditação pôde fazê-lo conhecer a si mesmo e também reconhecer quão distante estava de Deus. 

No momento mais difícil, pude experimentar o que se chama de autoconhecimento. É a experiência de conhecer tudo o que está ferido dentro da gente e de conhecer a distância que nos separa de Deus – e nem sabíamos que existia. O bom é que cada descoberta de um problema é a cor do problema. Deus nunca revela um problema sem estar no processo de transformá-lo”, relata o monge trapista.

A monja Coen Roshi

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A meditação tem diversas formas de aplicação na vida do ser humano. Além das já mencionadas anteriormente, a atenção foi ressaltada durante o diálogo, já que ela pode ser aprimorada por meio da prática meditativa. 

Dentro do campo acadêmico, o trabalho meditativo pode ser visto como um treinamento atencional. A atenção é a porta de entrada para a aprendizagem. Por isso, a criação do programa é tão importante, já que esta é uma instituição de ensino”, diz Gaertner.

A criação do programa de meditação da PUC-PR também visa a contribuir para a construção de uma sociedade melhor. 

A monja Coen explica sua visão de como a prática meditativa pode tornar o mundo um lugar mais harmonioso. “A meditação, o encontro de você com você mesmo, transforma o mundo, transforma o nosso olhar para a realidade e transforma a sociedade. Nós queremos uma sociedade menos violenta e agressiva, mais tranquila e cooperadora, e o caminho para atingi-la é a meditação.”

Fonte: Revista Budô
Texto original: Isabela Lemos